BAHIA
Americanas é acionada por práticas abusivas com 246 mil reclamações
Entre os principais problemas relatados estão atraso na entrega e não recebimento de produtos


Grande rede varejista, a Americanas foi acionada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) por práticas abusivas na entrega de produtos, no dia 26 de maio. O órgão apontou irregularidades na venda e reembolso de produtos ofertados pela empresa.
Autora da ação, a promotora de Justiça Joseane Suzart afirma que a investigação constatou irregularidades, de forma reiterada, em relação a:
- Produtos em desconformidade com a oferta e a legislação;
- falhas na prestação de serviços;
- atraso na entrega de mercadorias;
- cancelamento inesperado de compras;
- dificuldades no reembolso de valores pagos;
- problemas com troca ou devolução de produtos;
- falhas no atendimento ao consumidor.
Além disso, há registros de serviço ineficiente, falta de informações claras e obstáculos para acesso à assistência técnica. Só na plataforma Reclame Aqui, responsável por receber queixas de consumidores sobre as empresas, já são 246 mil registros em desfavor da varejista.
Entre os principais problemas relatados pelos clientes estão atraso na entrega, não recebimento de produtos, falhas no estorno de valores e venda de itens incompatíveis com a oferta.
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Americanas recusou proposta
Na ação, o MP-BA pede a interrupção das práticas abusivas, a melhoria do atendimento e o respeito aos direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.
De acordo com Suzart, o órgão tentou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para corrigir as falhas, no entanto, a proposta não foi aceita pela empresa.
Nova reestruturação
A Americanas voltou a movimentar o mercado ao divulgar uma nova rodada de cortes em seu quadro de funcionários. Em abril de 2026, a companhia desligou 4.314 trabalhadores e realizou apenas 726 contratações, dando continuidade ao processo de reestruturação iniciado após a crise financeira que veio à tona em 2023.
Os números fazem parte do demonstrativo mensal divulgado pela própria empresa e mostram que, mesmo diante de uma melhora operacional e do crescimento das vendas, a varejista segue adotando medidas para reduzir despesas e reorganizar sua estrutura.
Ainda assim, a maior parte das saídas está relacionada ao plano de reorganização interna colocado em prática pela empresa.
Receita cresce quase 20%, mas prejuízo permanece
No primeiro trimestre de 2026, a Americanas registrou crescimento de 19,8% na receita bruta em comparação com o mesmo período do ano anterior, demonstrando avanço nas vendas mesmo em meio ao processo de recuperação judicial.
Ainda assim, a companhia fechou o trimestre com prejuízo de R$ 329 milhões.
O que diz a Americanas sobre o MP-BA?
Ao portal A TARDE, as Americanas informou que a ação civil pública se originou de um inquérito civil de 2024, motivado pela reclamação de um único cliente sobre o serviço de garantia estendida, cuja apólice não cobria o problema relatado.
"A Americanas esclarece que as supostas irregularidades mencionadas pelo Ministério Público não refletem a prática da companhia, que atua em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor. A empresa reitera que garante o atendimento completo de todos os pedidos realizados por clientes em seus canais de venda e informa que o percentual de reclamações segue baixo em relação ao volume total de pedidos", disse em trecho.
Em relação ao número de reclamações do Reclame Aqui, a companhia garante que não reconhece a informação, conforme busca realizada no próprio site da instituição.
"A Americanas informa ainda que o índice de solução registrado no Consumidor.gov está em 79,7%, nos últimos 180 dias, em linha com o patamar setorial de 80% apurado pelo órgão. Por fim, a Americanas ressalta que eventuais ocorrências são tratadas com a devida atenção e celeridade", finalizou.


