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VIOLÊNCIA

Agressões a rodoviários se tornam frequentes nas ruas de Salvador

Somente no ano de 2023, pelo menos 12 casos foram computados pelo SindRodoviários

Isabela Cardoso
Por Isabela Cardoso
| Atualizada em
Rodoviários fizeram uma paralização de quatro horas nesta sexta-feira, exigindo um aumento de salário.

Na foto: Garagem de ônibus na Praia Grande 

Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

Data: 28/05/21
Rodoviários fizeram uma paralização de quatro horas nesta sexta-feira, exigindo um aumento de salário. Na foto: Garagem de ônibus na Praia Grande Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde Data: 28/05/21 - Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

O ano de 2023 foi marcado por, pelo menos, 12 casos de violência contra os profissionais do transporte público em Salvador, segundo dados do Sindicato dos Rodoviários de Salvador (SindRodoviários). A categoria contabilizou assaltos, agressões com faca, assassinatos a tiros, vandalismo a ônibus, entre outros. (Confira ao final da matéria)

Na última quarta-feira, 3, uma briga entre um passageiro de um ônibus e um profissional do transporte foi registrada no bairro do Largo do Tanque, na capital baiana. As imagens mostram que o passageiro pegou uma pedra, jogou na janela do veículo e, na sequência, o motorista correu atrás dele com um objeto cortante na mão.

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Passageiro pegou uma pedra e jogou na janela do veículo
Passageiro pegou uma pedra e jogou na janela do veículo - Foto: Reprodução | Redes Sociais

“É muito assalto, muito acidente. É motorista que brigou, homem que jogou pedrada... É um desafio da profissão. Ano passado, teve o cara que subiu no teto do ônibus e estava no centro psicológico. São coisas que têm acontecido com alguma frequência”, disse um rodoviário, que preferiu não ser identificado.

Segundo Daniel Mota, presidente do sindicato, o plano de saúde dos rodoviários cobre psicoterapia para os trabalhadores. No entanto, o profissional de transporte público desabafa que não há apoio psicológico por parte das empresas.

>>> Rodoviário 'surta', sobe em teto de ônibus e trava trânsito na ACM

“A gente chega na empresa, passa uma situação, assaltou, alguma coisa, a única coisa que a empresa diz é: ‘você podia ter evitado’. Em momento nenhum diz: ‘a gente vai resolver isso’. Em momento nenhum, procura saber o psicológico ou é oferecido algo. A maioria está pedindo para sair da empresa por esse tipo de problema. É problema referente a assalto, a briga, a não pagamento... Se alguém quebrar o braço, tem que procurar ser afastado pelo INSS. A gente bota um atestado até o 15º dia e os outros 15 dias são pelo INSS”, relatou o rodoviário.

Jorge Castro, representante das Relações de Trabalho da Integra Salvador, afirma que as situações de violência aos motoristas de ônibus são casos isolados e não devem ser "generalizadas". Ele diz ainda que os profissionais necessitam de uma saúde mental perfeita para transportar cerca de 3 milhões de pessoas.

“Nós temos 4 mil motoristas e cobradores que rodam todos os dias na cidade. É importante entender que não é geral, não é toda hora que acontece isso. Quando acontece, tem uma dimensão muito grande. Eles transportam milhões de pessoas todos os dias. Eu tenho que dizer com clareza que a saúde mental do meu motorista é perfeita. Se ele não tiver uma condição emocional equilibrada, é um caos na cidade. A saúde mental do rodoviário em geral é perfeita, não podemos generalizar. Todos os dias eles transportam 3 milhões de pessoas”, comentou o profissional.

Cerca de 4 mil rodoviários circulam em Salvador
Cerca de 4 mil rodoviários circulam em Salvador - Foto: Raphael Muller

De acordo com o rodoviário, há um limite de fichas de passagens no dia para prestar conta na empresa. Porém, quando acontece um assalto, corre o risco de ter o salário descontado pela empresa.

“Se eu for assaltado, eu tenho um certo valor para pagar. Não posso ser assaltado com mais de 50 fichas. Eles entendem que eu armei para o carro ser roubado e desconta do salário. Investiga na câmera. Eu já fui assaltado duas vezes. A gente tem que chegar, ficar escondendo o dinheiro, para não ser pego com aquele dinheiro todo, porque senão a gente termina pagando do nosso bolso”, destaca.

Jorge Castro disse que há pouco dinheiro para a circulação porque a maioria dos pagamentos acontece por meio eletrônico. "Somos 4.000 empregados que lidam com dinheiro. Muito pouco dinheiro em circulação. O vale-transporte e o vale-estudante são eletrônicos. Temos cofres nos ônibus e as 50 “fichas” são equivalentes a 50 passagens para eventuais trocos. Poucos passageiros pagam em dinheiro. Temos em torno de 8% em espécie circulando no ônibus", afirma o profissional.

Segundo Jorge, os casos de violência são mais comuns nos bairros de Valéria, Nordeste de Amaralina, Fazenda Coutos e a Base Naval de Aratu. Jorge destacou que, quando acontece alguma confusão nesses bairros e em outras localidades, os rodoviários são orientados a não entrarem na região.

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“Quando tem qualquer confusão, a gente não manda os rodoviários entrarem naquele lugar. A gente impede de entrar em qualquer confusão que tenha. Não vou colocar em risco meu rodoviário. Jamais faríamos uma coisa dessa. Se tiver conflito, pode largar o ônibus lá”, diz Jorge.

Veja os casos de violência a rodoviários registrados em 2023:

Casos de agressão física e verbal aos rodoviários

09/01/23 – Motorista sofreu agressões verbais de passageiro (Segundo o SindRodoviários, o homem ficou descontrolado emocionalmente e passageiros informaram que o rodoviário jogou ônibus conta um barranco).

12/01/23 – Motorista sofreu agressões físicas e verbais de passageiros e bateu carro no poste.

06/02/23 – Ônibus foi assaltado na região Santa Luzia do Lobato sentido Paripe e cobrador foi agredido com coronhadas na cabeça.

18/02/23 – Rodoviário foi agredido no bairro de Periperi.

Casos de vandalismo a ônibus

03/02/23 – Ônibus foi alvo de vândalos na Av. Garibaldi e teve a janela quebrada.

15/02/23 – Homem arremessou barrote e quebrou para-brisa dianteiro de ônibus na Av. San Martin.

05/03/23 – Integrantes da torcida organizada BAMOR interceptou um ônibus no bairro da Calçada e ameaçaram os rodoviários para que eles fossem levados até o estádio Fonte Nova. Eles foram flagrados com explosivo e porções de maconha.

Casos de trabalhadores baleados e feridos

20/02/23 – Dois rodoviários foram baleados no início da manhã nas proximidades da Grande Bahia (Paralela).

09/03/23 – O capoteiro (Trabalhador da área de manutenção) da empresa OT-Trans foi morto a tiros na saída do trabalho, na Rua Palestina. O crime ocorreu em Granjas Rurais após perseguição de dois bandidos em uma moto.

16/03/23 – Cobrador foi baleado de raspão na orelha no bairro de Tancredo Neves (O tiroteio ocorreu após desentendimento entre dois mototaxistas).

09/12/23 – Motorista foi agredido com golpe de faca no ombro direito no bairro do Bonfim.

Veja os casos de ônibus sem circular e violências a rodoviários em 2024:

Casos de assaltos a ônibus

12/02/24 - Dois ônibus foram assaltados no bairro do Lobato.

Casos de ônibus sem circular em bairros

29/02/24 – Serviço foi interrompido no fim de linha do bairro de Fazenda Coutos.

04/03/24 – Serviço foi interrompido no bairro de Valéria.

05/03/24 – Serviço foi interrompido no fim de linha do bairro de Nova Brasília.

12/03/24 – Serviço foi interrompido no fim de linha do bairro do Engenho Velho da Federação.

16/03/24 – Serviço foi interrompido no fim de linha do bairro de Fazenda Coutos.

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