ARTIGOS
Editorial - A gangorra democrática
Confira editorial do Jornal A TARDE desta sexta-feira

Não são pequenos nem poucos os defeitos da democracia, assim como ainda está para ser inventado regime político melhor vocacionado para o convívio. À parte esta figura de forte paradoxo, a inclinação democrática ao diálogo acolhe os divergentes e, entre eles, as surpresas.
A mais recente delas é a ultrapassagem dos Estados Unidos pelo Brasil, quando se verificam aspectos relacionados à saúde dos estados de direito. Estudo realizado pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia, referência acadêmica no tema, sinaliza uma gangorra entre os dois países.
Os estadunidenses descem, atirados ao abismo da guerra, da mentira e do desprezo pela vida, do ódio à ciência e às civilizações, além do culto à pedofilia. Os brasileiros sobem, contrariando a gravidade fascista, ao liderar a resistência contra a normalização dos absurdos urdidos por um Tio Sam em demência.
Washington apresenta como sintoma de declínio um Judiciário incapaz de punir quem liderou a invasão de seu Capitólio – com três mortos. Já a alta corte de Brasília dá exemplo com a detenção de delinquentes articuladores de golpe de estado, levando o líder a 27 anos de prisão.
A classificação divulgada pela universidade sueca posicionou o Brasil em 28º lugar; já os Estados Unidos despencaram para o 51º. O campeão mundial da Copa da democracia liberal é a Dinamarca; o podium é todo de países nórdicos: vice-campeã a Suécia, e terceiro, a Noruega.
Um dado preocupante é o retrocesso apontado em três entre cada dez nações, rumo ao declínio do direito, a partir do modelo de Leviatã proposto por Hobbes. Dentro deste universo, um outro recorte é de dar insônia aos defensores dos regulamentos: a Europa apresenta forte tendência a descenso.
Hungria, Polônia e Itália puxam a fila de países em crise, fortalecendo a hipótese de um planeta em processo de degradação, rumo a nova era de pesadelos. Como exceção iluminada, em meio ao túnel dominado pelo breu, a Alemanha, onde o nazismo se criou, aparece como sinal de possível terapia da humanidade.
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