Busca interna do iBahia
HOME > ARTIGOS

ARTIGOS

A nova economia nordestina e a transição industrial

Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia

Redação
Por Redação
| Atualizada em
Confira o artigo do governador Jerônimo Rodrigues
Confira o artigo do governador Jerônimo Rodrigues - Foto: Divulgação/Governo da Bahia

A chegada da BYD à Bahia, com investimento de R$ 5,5 bilhões, representa um marco estratégico para a economia baiana. Trata-se da primeira fábrica da montadora chinesa fora da Ásia e, neste 1º de julho, véspera da maior data cívica do Estado, o início da montagem de veículos evidencia uma expressiva retomada da indústria local, projetando mais de 20 mil postos diretos e indiretos quando estiver em pleno funcionamento.

Mais: representa uma transição da petroquímica para a eletromobilidade, atraindo novos fornecedores e gerando um efeito multiplicador na cadeia de valor.

Tudo sobre Artigos em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O protagonismo da Bahia e o empenho do Governo do Estado como alavanca de desenvolvimento, emprego e justiça social colocam Camaçari no mapa global da indústria limpa, abrindo caminho para inovações, inclusão e sustentabilidade.

É uma virada sustentável que já se faz sentir na economia nordestina. Renda, logística e energia limpa avançam de forma integrada sob a articulação dos governos estaduais, do governo federal e do Consórcio Nordeste — instrumento de integração dos nove estados nordestinos que, desde 2019, unem forças para impulsionar o desenvolvimento da nossa região e superar a histórica desigualdade regional.

Os números comprovam essa pujança. Segundo o IPC Maps 2025, as famílias nordestinas movimentarão R$ 1,5 trilhão em consumo neste ano—18,6 % do total nacional. Este valor é o correspondente a quase vinte vezes mais do que é investido na região pelo programa Bolsa Familia, por exemplo, que juntamente com outros programas sociais, ajuda a interiorizar e dinamizar nossa economia. Mas, também reafirma que o Nordeste é mais do que programas sociais. A região produziu um PIB de R$ 1,4 trilhão em 2022 e, somente em 2024, gerou cerca de meio milhão de novos postos formais de trabalho, resultante do crescimento de cadeias ligadas à economia verde e à infraestrutura.

O Novo PAC injeta aproximadamente R$ 320 bilhões em todo o Nordeste, financiando rodovias, moradias, escolas de tempo integral, saneamento e internet de alta velocidade que criam ambiente favorável a negócios sustentáveis. Na Bahia, são R$ 97 bilhões em recursos que incluem a duplicação de estradas estratégicas e a expansão de sistemas de esgotamento em 53 municípios.

Esse dinamismo tem rosto e sotaque: gente trabalhadora e criativa, que transforma desafios em oportunidade e espalha cultura e alegria por onde passa. São agricultores familiares que diversificam suas lavouras com energia solar, jovens conectados com o mundo digital, mestres da cultura popular que reinventam o futuro sem abandonar as raízes. É sobre esses ombros que se ergue a nova economia nordestina.

Em meu estado, o Programa Baiano de Transição Energética (Protener) destina R$ 10 bilhões à energia eólica, solar e hidrogênio verde. Já lideramos o segmento de energias renováveis com 32 % da potência eólica e 28 % da solar do país. Realidades semelhantes se multiplicam em Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Agora em maio, em viagem à China, apresentei o case baiano a investidores daquele país. O retorno já ecoa em empregos e serviços: a Bahiafarma, com a Hotgen, fabricará grande quantidade de material de saúde na Bahia, fortalecendo o SUS; a BYD e seus fornecedores negociam produzir localmente 80 % das peças dos carros elétricos que sairão de Camaçari, com perspectiva de dez mil vagas diretas e indiretas; e fundos asiáticos sinalizaram recursos para a Ponte Salvador–Itaparica.

Desenvolvimento só cumpre sua promessa quando a energia limpa ilumina a casa, o emprego garante o prato de comida e a estrada pavimentada encurta a ida à escola. A experiência baiana—e, cada vez mais, nordestina—demonstra que atrair investimento estrangeiro, proteger o ambiente e incluir quem estava à margem podem, sim, caminhar juntos.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

byd china consorcio nordeste eletromobilidade Jerônimo Rodrigues Novo PAC

Relacionadas

Mais lidas