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Agricultura baiana foca em tecnologia e diversidade e mira crescimento em 2026

O IBGE prevê crescimento de 15 das 26 culturas analisadas, com destaques para feijão, cacau e mamona

Laura Pita*
Por Laura Pita*
A agricultura baiana chega ao fim de 2025 com resultados expressivos
A agricultura baiana chega ao fim de 2025 com resultados expressivos - Foto: YURIKA HIDAKA

A agricultura baiana chega ao fim de 2025 com resultados expressivos e perspectivas promissoras para 2026, impulsionada pelo avanço tecnológico, diversificação das cadeias produtivas e por condições de mercado favoráveis. Para o próximo ano, o 2º prognóstico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê crescimento de 15 das 26 culturas analisadas, com destaque para os grãos, como o feijão, cuja primeira safra deve ser 35,3% maior, e para a fruticultura, com avanço do cacau (5,3%). O crescimento também é projetado para culturas como a mamona (14,1%).

O bom desempenho da agricultura baiana em 2025 e as projeções positivas para 2026 são destacados por Assis Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). “Em 2025, o desempenho da agricultura baiana foi positivo, com indícios de uma safra recorde, estimada em 12,84 milhões de toneladas de grãos. O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio baiano registrou crescimento de 5% no segundo trimestre de 2025, representando cerca de 29,6% da atividade econômica do estado. A safra recorde foi puxada por culturas como soja e algodão. A Bahia consolidou sua liderança nas exportações agrícolas do Nordeste no primeiro trimestre de 2025 - o cacau e seus derivados, o café e o algodão foram os principais impulsionadores”, afirma.

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Apesar dos avanços produtivos, o cenário econômico impôs desafios ao produtor ao longo do ano, segundo Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb). “Embora tenha sido um ano de bom desempenho para algumas culturas, com alta produtividade e volume de produção, como é o caso dos grãos, o produtor não foi bem remunerado. Do ponto de vista da rentabilidade, tivemos juros altos, taxa Selic de 15%, dificuldade de acesso ao crédito, redução dos recursos para seguro rural, e tudo isso impactou no aumento do endividamento dos produtores”.

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Ainda assim, as previsões para 2026 indicam expansão, especialmente no segmento de grãos. “As culturas com maior potencial são os grãos, especialmente soja e milho, que seguem tendência de elevação da área e produtividade apoiada em melhoramento genético, manejo de solo e uso de práticas sustentáveis. O algodão também se destaca pela modernização da cadeia, maiores rendimentos por cultivar e manejo e forte estrutura de comercialização. Os fatores que sustentam essas projeções são: difusão de sementes melhoradas, adoção de práticas conservacionistas, ampliação da irrigação de precisão e acesso à assistência técnica e ao crédito. Esses elementos aumentam produtividade e reduzem riscos”, estima Humberto Miranda.

Segundo maior produtor de frutas do Brasil, a Bahia também projeta crescimento da fruticultura em 2026. “Para 2026, destacamos a manga como carro-chefe, seguida por banana, laranja e coco, que apresentam perspectivas positivas. O limão vem registrando crescimento significativo, sobretudo no mercado de exportação. Além disso, o Recôncavo Baiano tem se destacado pelo avanço da produção, inclusive com a adoção de novas tecnologias, como o fortalecimento das culturas orgânicas”, antecipa Eduardo Brandão, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

As estimativas estão alinhadas aos esforços de modernização tecnológica da produção baiana, “ligado à sustentabilidade, eficiência produtiva e mitigação de riscos climáticos”, de acordo com Assis Pinheiro Filho. “O avanço no uso de produtos biológicos para o manejo de solo e o combate a pragas deve ganhar espaço. Isso se alinha à agricultura regenerativa e à busca por menor risco de resíduos.

“Deverá haver maior adoção de ferramentas de sensoriamento remoto, monitoramento via drones e sistemas de irrigação mais eficientes, especialmente nas regiões de sequeiro e semiárido, visando otimizar o uso da água e insumos. Também deve aumentar o uso de novos híbridos de milho e sorgo com maior tolerância ao déficit hídrico, assim como o uso de sistemas integrados (ILP) que combinam a produção agrícola e animal, melhorando a saúde do solo e a rentabilidade da fazenda”, completa Assis.

Clima no radar

Além dos fatores econômicos e tecnológicos, o clima também entra no radar dos produtores para o próximo ano. “Há forte probabilidade de ocorrência do fenômeno La Niña, condição que tende a favorecer a regularidade das chuvas no Nordeste, ampliando a janela climática ideal para semeadura e desenvolvimento das culturas. Essa expectativa é estratégica para mitigar riscos associados a veranicos e déficits hídricos. A combinação entre tecnologia, manejo eficiente e condições climáticas favoráveis pode consolidar novos avanços na produção agrícola baiana”, avalia Aloísio Júnior, gerente de Agronegócio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

A preocupação com a sustentabilidade deve se consolidar em 2026. “Cresce a demanda externa por práticas sustentáveis e participação em programas ESG, o que reforça a necessidade de integração entre tecnologia, gestão e responsabilidade socioambiental”, destaca Aloísio. Além disso, a atenção do consumidor à origem dos produtos tende a influenciar o mercado: “O consumidor quer saber a origem do produto e se ele tem certificações ambientais e sociais”, ressalta Humberto Miranda.

Esse cenário cria oportunidades de mercado, de acordo com Assis Pinheiro Filho. “O crescimento é esperado em produtos de maior valor agregado e qualidade, como cacau, café arábica e algodão, com abertura de novos mercados. Há demanda internacional por produtos baianos de qualidade, como o algodão e as frutas do Vale do São Francisco, e valorização do cacau”.

Para que esse crescimento se consolide, entraves estruturais ainda precisam ser superados, principalmente na logística, segundo Eduardo Brandão. “É um ponto que precisa ser ajustado para o mercado interno e externo. É fundamental a melhoria das rodovias voltadas ao escoamento da produção, especialmente aquelas que garantem acesso aos portos e aeroportos. A logística precisa ser encarada de forma profissional, para que a Bahia continue avançando. Acreditamos que seguirá sendo um dos principais desafios em 2026, assim como em 2025”.

Diante das oportunidades e desafios, a Bahia se projeta para 2026 com perspectivas de crescimento e consolidação no agronegócio, como assegura Humberto Miranda: “A Bahia entra em 2026 com forte base produtiva, competitiva e diversificada, consolidada pela adoção de novas tecnologias que reduzem custos e aumentam a eficiência da porteira para dentro e da porteira para fora. Destaco também o setor de energias renováveis e o fomento à agroindustrialização, que transforma a produção em produtos finais”.

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